Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Cursos,Especialização,Extensão,MBA,Idiomas,Educação,Vestibular,Pós-Graduação,Educação

Cursos

Graduação

Pós-Graduação

MBA

Vestibular

Hábitos podem ajudar na saúde mental em tempos de crise

Incertezas e falta de perspectiva para o futuro são fatores que geram angústia e ansiedade

25/03/2020 - 17h26
Hábitos podem ajudar na saúde mental em tempos de crise - Incertezas e falta de perspectiva para o futuro são fatores que geram angústia e ansiedade

Foto: Unsplash

Períodos de crises globais, como a causada pelo coronavírus (Covid-19), costumam instaurar uma tensão coletiva na população. As sensações de ansiedade, incerteza e medo do futuro são pontos que precisam ser foco de atenção, segundo especialistas. Parte disso está relacionado com a quantidade e a qualidade das informações às quais as pessoas são expostas diariamente, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A epidemia de SARS-CoV, síndrome respiratória aguda que surgiu em 2010, desencadeou sintomas de estresse pós-traumático em 29% das pessoas, enquanto 31% tiveram depressão por causa do período de quarentena. As informações são da The Lancet, umas das publicações científicas mais antigas e conhecidas da área de medicina.

Saiba mais: 5 dicas: como checar informações na internet

Mudanças na rotina causadas pelo isolamento social também podem ser fatores de desconforto para quem não está acostumado a trabalhar em home office e fazer atividades remotas. Wagner Machado, professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUCRS e coordenador do Grupo Avaliação em bem-estar e saúde mental; e Juliana Niederauer Weide, mestranda em Psicologia Clínica, trouxeram sugestões de como manter a saúde mental durante esse período de adaptações:

  • Planeje suas atividades: faça um cronograma, estabeleça horários de trabalho, lazer, descanso e interação familiar. Planeje suas atividades, de modo a atingir seus objetivos. Por exemplo, para resolver alguma tarefa, pergunte-se: quanto tempo preciso dedicar? Qual o prazo? Quais horários vou disponibilizar para esta atividade. Crie estratégias, diferentes, para solucionar suas tarefas, algumas fórmulas antigas não serão eficazes agora.
  • Saiba dizer não: é comum que o início do período de home office tenha muitas demandas para atender. Faça uma lista das tarefas por ordem de prioridade e busque a resolução, uma a uma. É necessário dizer não para algumas demandas. Uma boa dica para manter o foco é estabelecer pequenas recompensas após a finalização de cada tarefa, como por exemplo assistir a um episódio de sua série favorita ou ficar alguns minutos com seu pet.
  • Pense em como deixar suas tarefas mais prazerosas: busque um ambiente tranquilo, faça um chá ou algo que te dê conforto para sentir-se mais capaz de realizar as tarefas. Tente seguir o cronograma estabelecido e, caso não consiga em algum momento, evite uma postura julgadora ou muito crítica consigo mesmo, afinal, é uma fase de adaptação. Tente entender os motivos que fizeram você não seguir o planejamento e busque alternativas para os próximos dias.
  • Manter a temperança é fundamental: você vai precisar estar calmo para dar conta de suas tarefas. Diga a você mesmo que é possível dar conta delas e que, assim como os momentos bons que você já viveu, os ruins e difíceis não duram para sempre. Desenvolver habilidades para lidar com os desafios ou relembrar estratégias que você já utilizou em outros momentos complicados pode ser útil. Reconheça suas emoções e pensamentos de forma aberta e sensível. Trate a você mesmo como trataria um amigo querido em sofrimento ou que estivesse passando por um momento de dificuldade.
  • Para adaptação: aceite a situação de forma realista. Uma boa estratégia para isso é tentar descrever a situação sem julgamento, incluindo nessa descrição apenas os fatos. Por exemplo, é um fato que você terá que realizar atividades a distância. Gostar ou não dessa situação é um julgamento e pode não ser útil. Momentos graves requerem mudanças significativas, mas que para serem superados precisam passar pelo processo de aceitação. Pode parecer difícil, mas não se esqueça que coisas boas e ruins podem coexistir. Não é sinônimo de ser passivo ou inativo. A aceitação tem um caráter dialético com a proatividade, que, neste momento, representa a mudança de hábitos (ficar em casa, cuidados com a higiene, rotina remota).
  • Crie uma perspectiva positiva: mantenha pontos de vista positivos em relação às situações desafiadoras e almeje um futuro melhor. Pense e trabalhe para que as coisas deem certo. Espere resultados positivos do seu esforço individual e das ações coletivas. Tenha em mente que esse trabalho aumenta as chances de minimizar os efeitos negativos e melhorar a situação para todos.
  • Autocuidado: mantenha hábitos saudáveis de alimentação adequados a sua condição de saúde. Pratique exercícios físicos, adaptando essas atividades ao seu espaço e condição. Aproveite o momento em família de forma positiva. Dedique tempo para atividades que geram prazer. Encontre momentos para ficar só e em silêncio (o quanto for possível). Cuide do seu sono. Antes de dormir, afaste-se do celular, do computador e da televisão. Use mídias sociais de forma controlada e evite ler notícias em excesso sobre o que te preocupa. Você precisa relaxar e recompor sua energia.

Saiba mais: uso controlado de smartphones pode gerar bem-estar mental 

Mobilização e solidariedade

Pensando no tema, instituições gaúchas uniram suas forças, criando uma forma de levar pessoas que necessitam de auxílio psicológico para conversar, de forma gratuita, com profissionais capacitados. O objetivo é ajudar a população a lidar com assuntos como medo, desamparo, solidão, angústia e outros sentimentos que podem aparecer em meio à epidemia do coronavírus. O telefone é (51) 3224-3340.

De acordo com o presidente da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, José Carlos Calich, já há cerca de 500 voluntários cadastrados. Entre eles, profissionais da PUCRS, da UFRGS, da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre e de outras instituições parceiras.

André Luiz da Silva, professor da Escola de Medicina e monge zen budista, também resolveu ajudar as pessoas nesse período. Ele respondeu mais de 100 dúvidas sobre o coronavírus por aplicativos de mensagens, gratuitamente.