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Estudando a violência na origem

Professor Hermílio Santos dedica-se ao tema há 10 anos

Por: Greice Beckenkamp Pires

04/04/2016 - 14h55
Hermílio Santos

“Quero consolidar o Caes, trazendo mais professores para realizarem novas pesquisas aqui”
Foto: Bruno Todeschini – Ascom/PUCRS

Violência, infância, juventude e vida cotidiana são temas que sempre atraem a atenção do professor da Escola de Humanidades e coordenador do Centro de Análises Econômicas e Sociais da PUCRS (Caes), Hermílio Santos. E assim, naturalmente, acabam sempre sendo alvo de suas pesquisas. Uma das mais recentes foi realizada em favelas do Rio de Janeiro, Recife e São Paulo, mapeando as experiências de violência no cotidiano de crianças que vivem nestes locais. Os resultados mostraram que elas sofrem violência física e psicológica a partir do primeiro ano de vida, ficando mais intensa entre os 2 e 4 anos de idade. Foi constatado, também, que as mães são as pessoas que mais praticam atos violentos contra os filhos, incluindo grito, castigo e violência física. O estudo foi financiado pela Fundação Bernard van Leer, da Holanda, e gerou um documentário, que está em fase de finalização e deve ser lançado até maio, além de um livro com a síntese e a discussão dos resultados: “A ideia é que o material sirva de subsídio para as pessoas que trabalham com políticas públicas voltadas à infância”, aponta o pesquisador.

Hermílio Santos

Foto: Bruno Todeschini – Ascom/PUCRS

As mulheres como autoras de atos violentos são objeto de outro estudo, que está em andamento. Desta vez, o foco sai da imagem feminina como vítima: “Preliminarmente, já conseguimos classificar a motivação dessas mulheres em diferentes tipos. Queremos descobrir o que as leva a praticar violência”, ressalta. O pesquisador entrevistou adolescentes internadas na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) e se prepara para entrevistar detentas que estão em regime semiaberto em presídios. Além de conduzir entrevistas narrativas biográficas, o estudo envolve narrativas visuais com imagens captadas pelas próprias entrevistadas: “Com uma câmera em mãos, elas são convidadas a mostrar locais da cidade pelo olhar delas. Muitas quiseram ir até o Gasômetro, por exemplo, mas algumas sequer mostraram o rio. São formas diferentes de ver um mesmo local”, aponta. A pesquisa conta com bolsistas de pós-doutorado, doutorado e de iniciação científica.

O professor coordena também uma pesquisa sobre a construção social de zonas de fronteira, que busca mostrar como se dá, de fato, o estabelecimento da fronteira social entre dois países. O estudo ocorre nas cidades de Uruguaiana (RS), divisa com a Argentina; Cáceres, em Mato Grosso, que faz divisa com a Bolívia; e Brasiléia, no Acre, na fronteira com a Bolívia e Peru. “Estamos entrevistando autoridades e moradores para descobrir os limites e regras estabelecidos socialmente para a delimitação desta linha tão tênue. Afinal, a fronteira é aquela que as pessoas fazem”, afirma. O professor fará dois documentários sobre o assunto: um teórico, com entrevistas gravadas em Buenos Aires, Viena, Tóquio e Nova York, que será apresentado em congressos e terá entrevistas com importantes estudiosos da área, como Thomas Luckmann. Outro, empírico, será utilizado para fins acadêmicos e mostrará a realidade dos comerciantes informais e outros personagens que atuam nas três zonas de fronteira pesquisadas. O material será todo produzido e filmado por Santos, que contará com ajuda apenas para a fase de edição dos filmes. Ele ressalta que, em todas as suas pesquisas, utiliza as teorias do sociólogo austríaco Alfred Schütz, e o método de narrativa biográfica desenvolvido pela socióloga alemã Gabriele Rosenthal.

E o gosto pelos documentários? “Estou adorando me envolver neste universo. Tenho estudado muito para produzir os vídeos. Além dos artigos, são uma maneira didática para apresentar parte dos resultados da pesquisa”, conta. Atualmente o pesquisador dá aulas na graduação e na pós-graduação em ciências sociais. Quanto ao futuro, ele sinaliza um grande desejo: “Quero consolidar o Caes, trazendo mais professores para realizarem novas pesquisas aqui”, finaliza.

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