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Dia Mundial do Meio Ambiente: preservar recursos é uma necessidade urgente

Celebrado nesta sexta-feira, dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente visa conscientizar governos e a sociedade sobre o uso responsável dos recursos naturais

05/06/2020 - 14h41
Dia Mundial do Meio Ambiente

Foto: Shutterstock

A proteção do meio ambiente, em sentido amplo, é a única forma de garantirmos a sobrevivência da espécie humana para o futuro. O Dia Mundial do Meio Ambiente é mais uma iniciativa para lembrarmos permanentemente disso. Mas, infelizmente, os desafios são muitos. A declaração do professor Nelson Fontoura, diretor do Instituto do Meio Ambiente da PUCRS, é um alerta cada vez mais atual. A necessidade de ampliarmos a preservação dos recursos naturais está diretamente relacionada a nossa qualidade de vida e ao desenvolvimento econômico sustentável. Para debater o tema, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Instituída em 1972, a data reúne governantes e diversos setores da sociedade na busca por soluções. 

De acordo com relatório Nature Risk Rising, publicado no início deste ano pelo Fórum Econômico Mundialmais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) global (equivalente a aproximadamente 44 trilhões de dólares) é moderadamente ou altamente dependente da natureza. O relatório ainda aponta que mais de 70% das pessoas que vivem na linha da pobreza dependem, de alguma forma, dos recursos naturais como fonte de renda, através de atividades como a agricultura, a pesca e a silvicultura. 

Para o economista Osmar Tomaz de Souza, professor do curso de Ciências Econômicas e dPrograma de Pós-Graduação em Economia da Escola de Negóciosa preservação ambiental é vital para conter a escassez de recursos naturais e evitar as consequências socioeconômicas geradas pelos problemas ambientais. “O esgotamento desses recursos seria uma situação extrema e isso colocaria em risco até mesmo o crescimento econômico; esta é uma preocupação relativamente antiga na ciência econômica. Entretanto, antes do esgotamento, temos muitos problemas decorrentes do uso irresponsável dos recursos. Ou seja, só pelo fato de se tornarem mais escassos, já trariam impactos profundos em termos de bemestar e qualidade de vida da população. Pensemos nos problemas que viriam em decorrência do esgotamento de solos, da falta de água, do desequilíbrio climático associado ao desmatamento, dentre outros. A vida certamente ficaria bem mais difícil num cenário assim”, declara o professor. 

Os desafios do presente  

Para o diretor do Instituto do Meio Ambiente (IMA), os problemas ambientais já trazem consequências para o presente da sociedade em várias escalas. Fontoura aponta que a realidade em muitos municípios brasileiros traduz o nível mais primário dos desafios ambientais e sociais. “Em boa parte das cidades do País temos problemas para acesso à água com a qualidade e na quantidade necessárias ao abastecimento humano; há falta de saneamento básico, com o esgoto não tratado e a céu aberto, o que traz sérias consequências para a saúde pública; além da grande quantidade de lixo produzido e a ausência de descarte adequado”, afirma. Segundo dados do Instituto Trata Brasilaproximadamente 35 milhões de brasileiros não têm acesso ao abastecimento de água e quase 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. Os dados ainda apontam que somente 46% do volume de esgoto gerado no Brasil é tratado. 

O professor também salienta a necessidade urgente de respeito à legislação ambiental e de investimentos nos órgãos de fiscalização. “Num geral, a legislação ambiental brasileira é capaz de preservar de forma significativa o nosso patrimônio natural. Entretanto, faltam recursos materiais, de pessoal, assim como vontade política para uma atuação efetiva das instituições ambientais em todos os níveis”, ressalta Fontoura.  

Ainda de acordo com o professor, investir na estrutura dos órgãos ambientais, além de contribuir para a preservação, também amplia a eficiência dos processos de licenciamento ambiental, impactando positivamente o desenvolvimento econômico. “Concordo que os processos devam ser céleres, mas sem atropelar a qualidade técnica das avaliações. Neste sentido, ao investir em uma estrutura mais robusta dos órgãos ambientais, sejam municipais, estaduais, ou federais, o Estado estaria não só protegendo os interesses da sociedade no longo prazo e propiciando um ambiente mais saudável, como estaria igualmente atendendo a interesses econômicos e sociais imediatos, através da finalização rápida e eficiente de processos de licenciamento de novos empreendimentos”, avalia o diretor do IMA. 

Fontoura aponta que, para além dos problemas de nível governamental, também é necessário olharmos para as ações individuais. O professor alerta que precisamos reavaliar a forma como consumimos. “A Terra não é capaz de sustentar os padrões de consumo que temos hoje. Devemos fazer o uso mais responsável dos recursos: comprar só quando necessário; usar até o limite da durabilidade; e, se possível, consertar para prolongar o uso. Além disso, devemos priorizar o consumo de produtos da economia local, impulsionando o desenvolvimento e beneficiando a populaçãoPor que não escolher produtos com embalagens mais amigáveis ao ambiente, e que possam ser descartados com menor custo ambiental? São todas decisões em escala individual, mas a mudança do mundo e a sobrevivência da humanidade passa pela mudança dos indivíduos; cada um, e todos”, frisa Fontoura. 

As soluções para o futuro 

Para o professor Osmar Tomaz de Souzacom a pandemia provocada pela Covid-19 e o distanciamento social, novos hábitos poderão ser incorporados na sociedade, reconfigurando padrões. “Eu acredito que os hábitos de trabalho mudarão sensivelmente. Para muitos setores, o home office foi uma novidade, uma descoberta. Com planejamento, preparação, desenvolvimento de ferramentas e capacitação, uma parte expressiva das tarefas do cotidiano podem ser realizadas à distância. Isto trará consequências em termos de circulação de pessoas e de mobilidade urbana, por exemplo”, afirma Souza. 

Na visão do economista, ainda é preciso cautela diante das incertezas, mas este momento de transição também pode ser uma oportunidade para alavancar novos modelos de desenvolvimento sustentável. “Precisamos esperar para ver se padrões de consumo e produtivos também mudarão, já que estes são centrais no tema da sustentabilidade e de impactos ambientais. Pessoalmente, eu vejo que a questão ambiental e os princípios ligados à sustentabilidade não são necessariamente restritivos ao crescimento econômico. Ao contrário, aí estão abertas grandes possibilidades de investimentos. Ficarmos restritos a apenas um modelo de desenvolvimento significa restringir a criatividade humana para criar e fazer diferente”, aponta. 

Um dos setores responsáveis pelo desenvolvimento econômico no Brasil, o agronegócio também representa um desafio ambiental. Aliar a produção agrícola, a preservação dos recursos naturais e o crescimento da economia ainda é um complexo quebra-cabeça para o País. O projeto Agrosolar, desenvolvido por pesquisadores do Núcleo De Tecnologia em Energia Solar (NT-Solar) da Escola Politécnica, visa ser uma alternativa para solucionar esse desafio. A iniciativa, que teve origem em 2017, propõe a utilização de energia solar para a produção de agropecuária. O projeto conta com módulos fotovoltaicos instalados em três propriedades rurais no estado do Paraná, vinculadas a cooperativas da região. 

De acordo com os professores Adriano Moehlecke e Izete Zanesco, coordenadores do NT-Solar, o sistema fotovoltaico possui o menor impacto ambiental dentre as formas de geração de energia, além de apresentar bons indicadores na relação custo-benefício. Os pesquisadores apontam que, em 2019, os resultados do projeto demonstraram uma redução de 50% na conta de energia elétrica em uma das propriedades participantes.  

A iniciativa Agrosolar contribui para o sétimo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável definido pela ONU: assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia. Ao todo, a organização instituiu 17 objetivos globais que orientam os países parceiros na busca pelo equilíbrio nas três dimensões do desenvolvimento sustentáveis: a econômica, a social e a ambiental.