Relatos de quem já participou do Programa de Mobilidade Acadêmica




Alice Crescente Rubattino
Faculdade de Engenharia
École Nationale de Saint-Étienne - ENISE
FRANÇA


"Atualmente estou cursando Engenharia Civil na França, cidade de Saint Etienne: L'Ecole Nationale d'Ingenieurs de Saint-Etienne

No primeiro semestre de 2005, o intercâmbio exigiu muito estudo e dedicação. A adaptação está sendo gradativa e já me acostumei às novidades da França; sua cultura característica e o mais importante, já me sinto integrada e fiz algumas amizades. Aos poucos as dificuldades do idioma estão sendo superadas e já consigo me comunicar em francês relativamente bem.

Quanto aos estudos propriamente ditos, não representaram grandes obstáculos e sempre contei com o auxílio de professores e de colegas da faculdade.

Já estou trabalhando em Saint Etienne, através de estágio supervisionado na empresa Bureau d'Etudes Claude RABEISEN, especializada na execução de projetos de concreto armado, sendo este mais um desafio que vem favorecer o meu aprendizado com novas tecnologias além de servir como importante experiência profissional que certamente me será útil no futuro.

Nem tudo é estudo e trabalho e tenho aproveitado os momentos de folga para conhecer outros países da Europa, sempre que surge a possibilidade."



Ana Patrucco
Faculdade de Engenharia
École Nationale de Saint-Étienne - ENISE
FRANÇA


"Esta oportunidade de vir à França representou uma guinada na minha vida. Pela primeira vez moro sozinha, longe dos meus pais, gero meu dinheiro e as contas a pagar. Viajei por algumas partes da Europa, vi a neve e aprendi a esquiar. A língua francesa foi algo que no começo achava que nunca iria me tornar fluente. Foi difícil ter aulas em francês, tinha sempre que pedir ajuda aos colegas. Mas onde mais aprendi mesmo o francês foi fora da sala de aula, no dia-a-dia e agora ele sai quase natural, apesar do sotaque que me denuncia. No momento, estou fazendo estágio e é algo bem diferente do Brasil. Aqui, o estagiário tem responsabilidades e projetos de profissional: é tratado e exigido como tal. Tive muitas dúvidas no começo quanto a participar desse projeto, mas agora tenho certeza que faria tudo de novo."


Aurélio T. Salton
Faculdade de Engenharia
Università degli Studi di Trento
ITÁLIA


Meu nome é Aurélio T. Salton, sou um estudante de Engenharia Mecatrônica da PUCRS e no primeiro semestre de 2006 tive a oportunidade de estudar na Università degli Studi di Trento em Trento, Itália. É impossível descrever um experiência de intercâmbio em poucas palavras assim, mas posso afirmar com certeza que não existe nenhuma oportunidade de aprendizado que se compare a esta.

Uma viagem para o exterior na posição de estudante é ótima para o desenvolvimento profissional e pessoal do intercambista. Aqui na Itália, além de dar continuidade aos meus estudos no campo da Engenharia, estou aprendendo uma outra língua, conhecendo um mundo que é muito maior que Porto Alegre e que o Rio Grande do Sul e interagindo com pessoas de diferentes cantos do mundo. Acho que o maior ganho, porém, está nas qualidades humanas que desenvolvemos ou adquirimos quando estamos no exterior. Somos forçados a fazer novas amizades, conhecer novas culturas, derrubamos preconceitos e começamos a viver em um mundo que nem fazíamos idéia que existia.

Como a Universidade degli Studi di Trento preza pelo intercâmbio estudantil, tenho aqui um círculo de amizades que envolve mais de vinte países e todos os continentes, com exceção da Antártica. Às vezes jogamos futebol entre dez pessoas e todos os dez são de paises diferentes!

Sei que é difícil abandonar a nossa rotina brasileira por alguns meses e se mudar para outro país a milhares de quilômetros de distância. Mas o meu conselho para quem está pensando em viajar é "não pense duas vezes". Devemos aproveitar essa belíssima oportunidade que a PUCRS nos oferece agora, enquanto somos estudantes e ainda temos tempo disponível para uma aventura como essa.


Beatriz Bastide Horbach
Faculdade de Direito
Eberhard Karls Universität Tübingen
ALEMANHA


"Attempto"

"Obtive a bolsa do Landesstiftung Baden-Württemberg e cursei a Faculdade de Direito da Universidade de Tübingen durante dois semestres letivos, de setembro/2003 a agosto/2004. Foi uma experiência verdadeiramente inesquecível e válida, tanto do ponto de vista acadêmico como, obviamente, cultural.

Ao escrever este relato poderia, como outros de forma brilhante já o fizeram, referir-me à importância de tais vivências, expondo o aprendizado adquirido, o contato com estrangeiros, com o próprio povo alemão, suas características e seu tão temido idioma - que ganha, ainda, para muitos, formas mais assustadoras quando associado à área jurídica. Entretanto, faço-o apresentando aspectos - mais práticos - do cotidiano e do significado de estar inserido em um universo acadêmico na Alemanha.

A grande maioria das Universidades alemãs não possui um "campus", encontrando-se seus prédios em diferentes pontos da cidade em que se localiza a Instituição. Tübingen não foge à regra, chegando a ser reconhecida, inclusive, pela famosa frase de que "Tübingen não tem universidade, Tübingen é uma universidade". O motivo é que, dos seus pouco mais de 80.000 habitantes, 20.000 correspondem a estudantes matriculados nas diversas Faculdades oferecidas.

A Faculdade de Direito de Tübingen situa-se no principal prédio da Universidade, o "Neue Aula". Lá, como nos demais prédios dos cursos, encontram-se, além das salas de aula - várias em forma de auditório - os gabinetes dos professores. O sistema é o de cátedras, pelo qual o docente titular possui uma grande equipe própria e autônoma trabalhando sob sua supervisão, como professores assistentes, pesquisadores e estagiários.

É nestes gabinetes que se dá o "Sprechstunde", horário semanal que cada professor possui e durante o qual se encontra este a disposição dos alunos para esclarecimento de dúvidas da matéria e afins. Questões podem ser formuladas ao final das aulas, como ocorre no Brasil, mas, em geral, roga-se que pontos mais complexos - e, às vezes, no entender de alguns, quase todas as dúvidas - fiquem para o referido horário. Soa um pouco assustador, para quem inicia o período de estudos, a perspectiva de ter esta espécie de contato, no qual, de fato, o estudante apresenta-se como estrangeiro, expondo possíveis falhas, etc.. Trata-se, entretanto, de algo que não se deve temer, uma vez que muitos docentes mostram-se receptivos e, de modo bastante geral, já acostumados com o crescente número de acadêmicos de outras nacionalidades.

O estudante estrangeiro pode se questionar sobre o significado das siglas c.t. e s.t. presentes após o horário indicado para início de uma cadeira. Na Alemanha, há uma espécie de "atraso institucionalizado", em que uma aula aprazada para ter início às 16horas, por exemplo, quando seguida da sigla c.t. (do latim, "cum tempore"), começará sempre com 15 minutos de atraso - logo, às 16h15min. Este atraso pode se dar por diversos fatores, como para facilitar o trânsito dos alunos de uma sala a outra, caso necessário. Não possuindo o horário de início alguma indicação, ou presente a sigla s.t. ("sine tempore"), será esta iniciada pontualmente.

Ao final das exposições, por sua vez, outra peculiaridade faz-se presente, como o costume de bater-se nas mesas, de punhos cerrados, como uma forma de aplauso e congratulação à aula prestada. Esta ação é sempre realizada, independente de ter sido a exposição boa, ou não.

Ainda, cabe ressaltar que as cadeiras não são, em sua totalidade, expositivas, como ocorre nas aulas da Graduação brasileira. Além destas, há também cadeiras de seminários, nas quais são os alunos que preparam, durante todo o período e de forma bastante empenhada, as apresentações. Frise-se que não é exigida freqüência, até por não haver uma prévia inscrição nas cadeiras - com exceção de aulas mais procuradas, em geral os seminários.

Também são várias as aulas de prática jurídica, com análises de casos, eis que, na Alemanha, o estudante de Direito é submetido a duas avaliações durante a Faculdade. Estas são, grosso modo, similares ao Exame da Ordem brasileiro; diferindo-se deste, porém, por ser realizado pelo estado-membro em que a Universidade está situada. Tal exame ("Staatsexamen") é efetivado em duas etapas - na metade e no final do curso - e apenas aprovado em ambos é que estará o estudante apto a prosseguir com a carreira jurídica.

Os estágios extracurriculares, bastante conhecidos pelos acadêmicos brasileiros, praticamente não existem na Alemanha. Os próprios horários das aulas na Faculdade são fatores impeditivos. Não há turnos, como cadeiras apenas de manhã ou à noite, e os horários são esparsos. Para o período de férias é que são ofertadas, muitas vezes, as principais vagas em órgãos públicos. Em relação ao ano letivo, inicia-se este em outubro, com o denominado semestre de inverno ("Wintersemester"), que se estende até fevereiro. Em abril, inicia-se o semestre de verão ("Sommersemester"), que termina em julho.

De forma geral, enfim, são estas as principais características práticas apresentadas no sistema acadêmico alemão, em especial, o de Tübingen. Dúvidas e contratempos, no dia-a-dia, sempre, certamente, surgirão. Entretanto, em pleno século XXI, o lema da Universidade, cunhado em 1477 pelo seu fundador, Eberhard im Bart, continua extremamente válido e incentivador: "Attempto", do latim "eu ouso". Cabe ao aluno intercambista, assim, ousar enfrentando o novo, o diferente, olvidando-se de medos, acanhamentos, para que, daí, possa, de forma efetiva, apreender todos ensinamentos enriquecedores que uma experiência como esta tem a proporcionar."



Carlos Vinícius Canova
Faculdade de Física
Eberhard Karls Universität Tübingen
ALEMANHA


"Quando cheguei aqui três meses atrás, era tudo tão estranho, a começar pelo idioma. Agora, já posso dizer que me sinto em casa. A grande vantagem de morar numa cidade universitária como Tübingen é que 1/4 da população são os próprios estudantes. Isso implica que poucos tenham suas famílias por perto, forçando-nos a fazer muitas amizades.

Aprende-se muito, não só sobre a cultura alemã, mas s obre a cultura de muitos países. Compartilho meu andar, por exemplo, com alemães, espanhóis, tailandeses, franceses, italianos, gregos... Enfim, a variedade é o forte daqui.

Fiz um curso de alemão, há dois meses, e nele conheci cerca de 60 pessoas, de todo o mundo. Foi muito divertido tê-los todos em minha festa de aniversário! As aulas da universidade ainda são um pouco difíceis de acompanhar, mas tem que se tentar, pois os professores são muito bem conceituados e ensinam sempre o que há de mais moderno, muitas vezes o que eles próprios pesquisam. E existem inúmeras oportunidades de estudos extra curriculares e cursos, a maioria muito acessível à comunidade estudantil. Por fim, o idioma já não é mais tanto um empecilho, embora ainda haja muito que aprender."



Caroline Ponzoni Carvalho
Faculdade de Engenharia
École Nationale D'Ingénieurs de Saint-Étienne - ENISE
FRANÇA

"Estudar em um outro pais sempre enriquece a vida de qualquer um, pra começar. Aprender um outro idioma fluentemente já deveria satisfazer, mas é muito mais que isso, você aprende a respeitar diferentes costumes, uma diferente cultura, quem sabe, mesmo apreciar... Conhecer gente nova, conhecer um mundo diferente... com problemas e vantagens diferentes... Conhecer paisagens, cidades... Experiência inesquecível, incomparável... aprender mesmo a ser responsável por si, de se virar sozinho, de crescer en todos os sentidos... Na faculdade, estudar muito pra acompanhar a matéria.. e entender o idioma... é trabalho dobrado, e bom... também enriquecedor. Fazer estágio em numa empresa em um outro país, escutar diferentes línguas, e analisar os diferentes modos de trabalho... tudo isso é muito bom!!!!! Não tenho nem como descrever o quanto isso me faz bem!!!!"


Daniel Krás Borges da Silveira
Faculdade de Engenharia
Tampere University of Technologhy
FINLÂNDIA


"O intercâmbio está sendo muito legal, realmente me está valendo a pena. O que mais estou aprendendo aqui, eu acho, é ter paciência com as diferenças culturais. Não utilizo muito o inglês, imaginem só, mas sim o espanhol. Há um monte de espanhóis por aqui, tipo uns cincoenta.

A Finlândia é um país "super" organizado, só que a população é muito fechada, quase não se comunicam. É difícil para um estrangeiro começar a conversar, parece que os finlandeses têm medo das outras pessoas. Bem, uma vez que os conhecemos, aí sim, são "super" legais. Eu tive de correr atrás do meu diretório acadêmico, por conta disso fui agradecido pois minha atitude mudou alguns procedimentos deles. Parece incrível, mas é assim: o quanto mais gostam de ter intercambistas mais difícil é criar coragem para conversar com os estrangeiros.

Das experiências que tive na Europa até agora, o que mais me chama a atenção é a segurança. Realmente não há lugar onde estive que não me senti tranqüilo. Obviamente também não estou procurando confusão, somente quero salientar que a vida cotidiana é mais relaxada. Na universidade, por exemplo, há cabideiros em todos os prédios nos quais deixo todos os meus pertences para almoçar e onde ficam meus casacos - desnecessários dentro de qualquer prédio - durante as aulas e não mexem em nada."




Diana
Aluna da Communucation University of China, Benjing, que estudou 1 ano na PUCRS, na Faculdade de Letras e na FAMECOS, 2006/2006.
Que impacto que o intercâmbio na PUCRS teve em sua vida profissional?
Um ano de estudos no Brasil me ajudou muito na minha vida profissional. Sou uma professora de língua portuguesa aqui na China. Como todo o mundo sabe, aprender uma língua não apenas se limita a aprender a falar e escrever nesta língua, mas também utlizar a língua fluentemente no cotidiano e, sobretudo, conhecer a cultura e a sociedade do país-alvo.

Através desta experiência preciosa que eu tive no Brasil, o meu domínio de língua tem obtido um grande progresso e o conhecimento sobre este país se aprofundou também, tanto a história como a realidade, o que me procionou um recurso didático bem rico. Depois de voltar para a China, arrumei detalhadamente todos os materiais conseguidos e recolhidos no Brasil: fotos, quadrinhos, filmes, gravacões, revistas e até as minhas memórias. Tudo consitui uma matéria vivida e interessante para minha aula. Atualmente, utilizo sempre essas experiências verdadeiras como exemplos durante o processo de ensino e ganhei já os efeitos positivos, porque os alunos chineses estão cheios de curiosodades sobre este país-alvo e esses exemplos dão-lhes um estímulo na aprendizagem da língua.

Graças ao intercâmbio, consegui uma oportunidade de me aperfeiçoar e espero que mais e mais pessoas possam participar e ser beneficiados com esta atividade.



Giuliano Sasso
Faculdade de Engenharia
Universidade do Porto
PORTUGAL


"As faculdades européias são muito fortes e têm muita tradição, o que eu acho importante. A FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) tem uma excelente estrutura e é bem conceituada na Europa. Os métodos aqui aplicados são um pouco diferentes. Acho que vale a pena vir pra cá no fim do curso, por que é quando teoricamente se tem um maior conhecimento e, portanto se pode aproveitar mais."


Júlia Doebber
Faculdade de Administração
University of New México
ESTADOS UNIDOS


"Estou morando com uma família americana e fiz amizade com pessoas de vários países. Tenho aprendido a lidar bastante com a diversidade cultural e a visualizar alguns dilemas que vivenciamos hoje, com mais clareza. Os EUA têm passado por momentos críticos, como a destruição causada pelos hurricanes, Katrina e Wilma, a crise do petróleo, escândalos em grandes corporações... As pessoas têm reagido de forma positiva, porém questionamentos sobre posição política e atuação de grandes corporações, como o Wal-mart, estão cada vez latentes na mente dos americanos. Em muitos momentos, agradeço por ter persistido neste plano e estar tendo a oportunidade de vivenciar todas estas coisas novas."



Marcos Clei de Oliveira
Faculdade de Filosofia
Eberhard Karls Universität Tübingen
ALEMANHA


"Esta pode ser uma experiência extraordinária, sobretudo quando se está pela primeira vez no exterior e entra-se em contato com uma cultura diferente da sua e de seu modo de viver, isto pode ser de grande crescimento pessoal.

Os três primeiros meses de adaptação é o período mais difícil, não só pelo aspecto sócio-cultural, mas o idioma pode ser um grande problema, mesmo aqueles que têm anos de estudo de uma língua estrangeira sentem alguma dificuldade inicial. Um idioma está relacionado diretamente com o modo de vida de um povo, e quanto menos se sabe uma língua mais dificuldades se tem para nos adaptarmos.

Estou na Alemanha, na cidade de Tübingen, há 3 meses e a maioria das pessoas que convivemos no dia a dia são estudantes estrangeiros, muitos deles compartilham dos mesmos dilemas de todo estudante no exterior, longe de casa, da família, dos afetos, dos amigos, vivendo em outra cultura, necessitando expressar-se em outro idioma, além, é claro, de uma vida com recursos limitados.Tudo isso pode tornar-nos muito mais receptivos amigáveis.

Viver em outro país é estar em confronto com diferentes valores, modos de pensar e viver, esta diferença entre culturas é algo precioso que se pode aprender no exterior.

Olhar o seu país de fora, imerso em uma outra sociedade mais desenvolvida pode não ser uma visão muito otimista, ver o quanto estamos longe de resolver nossos problemas políticos, de corrupção, de moradia, desigualdade social, de segurança e educação, que em grande parte já podem ter sido solucionados em outras culturas e ver de que outras formas é possível encontrar soluções para estes problemas é algo de grande importância para mim."




Maurício Ferrão Pereira Borges
Faculdade de Direito
Mestre e doutorando em Direito pela Universidade
Eberhard Karls Univertität Tübingen
ALEMANHA


"Viver uma outra língua: o intercâmbio acadêmico na Alemanha

É com muita honra que atendo ao chamado da Assessoria para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais da PUCRS, universidade onde me graduei bacharel em Direito, para não só relatar o que significa morar na Alemanha, como também contribuir para a desmistificação do verdadeiro significado de "viver uma outra língua".

É de conhecimento geral que estudar outro idioma e viver em outro país são experiências pessoais que acarretam inevitáveis ganhos profissionais. Mas é de se perguntar (1) até que ponto essa máxima seria verdadeira e (2), em sendo isso verdade, será que seria realmente só esse o ganho pessoal e profissional que o intercambista pode obter ou (3) essa experiência no exterior transcende de fato o que se sabe a respeito dela? Ao contrário de autores como Mark Twain e Robert Porson, para os quais o idioma alemão é um obstáculo quase intransponível mesmo para os mais sábios mortais, posso afirmar que a experiência acadêmica no estrangeiro tem tudo para ser o impulso necessário para o início de uma carreira profissional. Isso claro, se a oportunidade for bem aproveitada.

No meio acadêmico europeu, mais do que uma recomendação, o intercâmbio entre universidades surge atualmente quase como exigência em determinadas profissões. A criação da União Européia forçou os seus países-membros a se aproximarem cada vez mais uns dos outros, criando vínculos sólidos não só na política e na economia, como também no meio acadêmico. No Direito, minha área de atuação, o intercâmbio é critério fundamental de desempate na seleção de docentes, podendo este ser feito, inclusive, depois da conclusão do curso de doutorado. Na Alemanha, por exemplo, os escritórios grandes de advocacia não se restringem mais tão-somente ao Direito Alemão, até porque o Direito Europeu, instrumentalizado pelos Tratados tanto da União, como da Comunidade Européia, é cogente e a Constituição da União Européia está prestes a ser implementada, dando assim estrutura ú nica e personalidade jurídica à União dos seus vinte e cinco países-membros. A "europeização" da Alemanha torna as causas jurídicas havidas em território germânico interfronteiriças e o cidadão europeu (EU-Bürger) goza, hoje, dos mesmos direitos que o natural alemao.

O fato de se estudar na Europa é uma oportunidade que deve ser considerada como um obstáculo a ser transposto. Até porque o aprendizado da língua se dá de forma gradativa, não sendo tão simples a adaptação. Afora o caso de domínio pleno do idioma, os conhecimentos acadêmicos específicos requerem um tempo de adaptação para serem absorvidos. E é aqui que quero chegar. Não basta viver em outro país, conhecendo uma nova cultura, lugares tradicionais etc. O que traz o ganho profissional não é a possibilidade de passear e conhecer pessoas de todos os cantos do mundo. O que nos proporciona o impulso acadêmico é o viver a língua local, com suas peculiaridades e diferenças radicais no modo de ser. Viver em outro lugar é fácil, em qualquer lugar do mundo se vai a boates, se vai ao supermercado, se faz cursinho de línguas, se fala no telefone e se navega na internet. Um mergulho intelectual no idioma por demais necessário. Não adianta somente estudar e se divertir, a convivência do dia-a-dia na universidade é que denotará, a médio prazo, a diferença do intercambista. Vivenciar outra língua, outra cultura, causa perplexidade e sentimento de incursão no desconhecido. Porém apenas estar lá, ver "a banda passar", não é suficiente. O intercambista universitário, mesmo estando em fase de aprofundamento no idioma, continua sendo universitário e, como tal, tem o dever de se aprofundar, igualmente, na sua área científica.

O objetivo do intercâmbio acadêmico transcende o aprendizado da língua. Todos estão em condições de aprender a ler, escrever e falar no outro idioma. O difícil mesmo é adquirir bagagem intelectual de tal forma a ser respeitado no meio acadêmico estrangeiro. Ser amigo do vizinho que mora na mesma casa de estudantes, ou viajar com ele e outros amigos, é conseqüênca da vivência social. Isso é fácil. O difícil mesmo é conquistar a simpatia e o respeito de professores e de pessoas ligadas ao Milieu acadêmico, que não estão mais na condição de estudante e não estão preocupadas se o universitário é deste ou daquele país. "Tás estudando? Queres conquistar o teu espaço? Então prova que tens conhecimento". É assim que o intercambista será encarado, caso queira, realmente, complementar a sua formação acadêmica.

E é justamente por isso que o intercâmbio acadêmico deve ser distinguido do mero intercâmbio cultural, porquanto aquele é um meio de se ir buscar na instituição estrangeira conhecimentos práticos e científicos que venham a ser vantajosos à universidade de origem. Frases como a de Mark Twain de que uma pessoa vocacionada para o estudo de língua precisaria de trinta horas para aprender Inglês, trinta dias para aprender Francês e trinta anos (!) para aprender Alemão, servem apenas para sátiras e não devem ser levadas a sério. Pensar assim corresponde ao sentimento pessimista, e até certo ponto bem humorado, do escritor inglês Robert Porson, para quem "a vida é curta demais para aprender alemão".

Por fim, afirmo de antemão que o desafio é grande, as dificuldades são constantes e o enfrentamento destas é diário. No entanto, o ultrapassar obstáculos no curso da formação acadêmica serve exatamente para diferenciar os futuros bons profissionais dos profissionais razoáveis. E, para todos aqueles que um dia tiverem a oportunidade de estudar em uma universidade estrangeira, aconselho que traçem objetivos claros e possíveis de serem alcançados. Saber a língua não basta, é preciso vivê-la, amá-la e conquistá-la."




Maurício Kalil Steinbruch
Faculdade de Engenharia
Mestre e doutorando em Direito pela Universidade
ENISE
França


     Estou mandando este e-mail para contar algumas notícias da minha experiência no programa BRAFITEC. Bom, como vocês sabem, estudei, durante o primeiro semestre, na Ecole Nationale d'Ingénieurs de Tarbes, no sudoeste da França. Minha estadia lá foi das melhores possíveis: todos, tanto alunos como professores e diretores foram extremamente acolhedores comigo e com todos os estrangeiros que lá estavam. Os estudantes, por sua vez, participavam de um "Club Internacional" que, com auxilio financeiro da própria universidade, promovia viagens com os alunos estrangeiros, encontros, passeios, aulas de francês, etc. Realmente, é uma boa oportunidade para se "enturmar" com os franceses que participavam deste clube e com estrangeiros também (não havia outros brasileiros, o que achei bom, pois falava somente em francês). Não sei se existe algo parecido na PUCRS, mas certamente seria uma boa ideia.

    A estrutura da universidade é excelente, com professores bons e com material bastante moderno. Possuem bastantes laboratórios também que permitem o aprendizado pratico. Em termos de currículo, achei também bem proveitosa; aprendi uma série de conceitos e metodologias referentes a Engenharia de Produção que não conhecia.

     A residência onde fiquei era bastante confortável, em um prédio de estudantes novo, onde tudo funcionava. Consegui até receber alguns amigos nas férias de fim de ano. Além disso, o aluguel não é muito caro. Existe também a possibilidade de se alojar na cidade universitária, onde os apartamentos não são tão novos e são um pouco menores, sendo assim também mais baratos.

     Sei que vocês costumam fazer viagens para conhecer as instalações das universidades, recomendo que nesta próxima vez vão à Tarbes para conhecer a ENIT, certamente o pessoal das Relações Internacionais (François Saiz e Danielle Barthares) vai ter o maior prazer de apresentar a universidade e a cidade. Eles têm uma preocupação muito grande com os alunos estrangeiros e ajudam bastante em questões burocráticas necessárias para a instalação e vida na França.

     Desde o inicio de fevereiro, estou fazendo meu estágio na Renault Technocentre, na região parisiense. Estou aprendendo bastante. O lugar é bastante impressionante dada a sua grandeza e importância. Me impressionei também com a quantidade de estagiários brasileiros que encontrei por lá, e com a importância que os franceses estão dando para o mercado brasileiro em geral.

     Bom, por enquanto, encerro por aqui minhas noticias.

Atenciosamente,
Mauricio Kalil Steinbruch
Faculdade de Engenharia




Melissa Lippert
Faculdade de Direito
Eberhard Karls Universität Tübingen
ALEMANHA


"Prezados colegas e interessados:

Meu nome é Melissa Lippert, tenho 26 anos, sou formada em Letras pela PUC e desde julho de 2002 sou aluna de Direito da PUCRS. Meu marido chama-se Guilherme Lippert, é advogado formado na nossa Faculdade de Direito.

Devido à aproximação que a família do meu marido tem com a Alemanha (meu sogro é alemão), viemos para cá para apreender a língua e obter conhecimento mais detalhado do Direito local. Se tudo correr bem, faremos no próximo ano, Mestrado aqui na Universidade de Tübingen.

Em um primeiro momento moramos em Freiburg, onde estudamos alemão em duas diferentes escolas. Lá fizemos nossa “base lingüística” e conhecemos pessoas interessantes.
Quando da nossa estada na Floresta Negra, por intermédio de um amigo e aluno de Direito da PUCRS que, na época, estava como Aluno Ouvinte (Austauchstudent) da Faculdade de Direito da Universidade de Tübingen, ficamos sabendo da “parceria” existente entre as duas universidades.

Nos habilitamos imediatamente no programa e, poucos meses depois, recebemos a grande notícia: tínhamos sido aceitos para sermos Alunos Ouvintes da Faculdade de Direito da Universidade de Tübingen. A oportunidade não poderia ter vindo em um momento mais oportuno, pois por questões burocráticas, estávamos começando a ter dificuldades em levar adiante nossos planos acadêmicos na Alemanha.

Com a Declaração de Aceite (Zulassungsbescheid) da Universidade de Tübingen em mãos, nossa estada aqui estava então praticamente garantida. Faltava acertar o lado financeiro. Após alguns contatos, em meados de outubro, tudo estava já resolvido e as nossas aulas nessa conceituada universidade alemã estavam começando.

Até agora, passaram-se apenas 35 dias de aulas de Direito, cumulada com aulas de alemão e um curso jurídico voltado para estrangeiros. Temos contatos diários com pessoas do mundo inteiro e, sobretudo, com vários alemães. Aqui, quando se está ligado à universidade, as possibilidades de pesquisa são enormes, a riqueza de informações e a troca diária de experiências são inestimáveis. Além disso, o estudante de graduação, mestrado e/ou doutorado dispõe de muitas facilidades econômicas, as quais são “subsidiadas” pelo poder público, tais como transporte, cultura, moradia e alimentação diária dentro do restaurante universitário (Mensa).

No começo nada foi fácil, pois além da dificuldade da língua, a forma como os alemães se relacionam socialmente, profissionalmente e no meio acadêmico é sensivelmente diferente da nossa. Mais precisamente dentro da universidade de Tübingen, as coisas são muito bem organizadas (assim como na PUCRS) e as chances dadas aos estudantes são múltiplas. Importante ressaltar, porém, que paciência e persistência deve-se ter sempre. Perguntar, questionar, argumentar e não aceitar a primeira resposta que nos é dada são itens básicos que devemos ter conosco todos os dias.

Nossa rotina diária dentro da universidade, começa as 07:30 da manhã e acaba normalmente pelas 17hs. Isso, pois a forma de ministrar as aulas, os horários, o calendário letivo, as provas e trabalhos a serem realizados ao longo do semestre, bem como a acesso aos professores e secretarias são muito diferente daquilo que estamos acostumados na PUCRS.

Bem, gostaríamos aqui de passar a vocês nossas experiências já vividas nesta terra de estações bem definidas, de pessoas interessantes e dedicadas aos estudos e ao trabalho, de comida deliciosa e de uma natureza belíssima. Contudo, trata-se de uma vivência que somente “ao vivo e a cores” poderemos tentar retransmitir a todos. Por isso, quando retornarmos à Porto Alegre, faremos questão de poder encontrar as pessoas e dividir nossa experiência aqui na Alemanha. Estamos sempre juntando variadas informações e, na medida do possível, adquirindo material jurídico e lingüístico.

Por fim, gostaríamos de ressaltar nossa gratidão para com a PUCRS. Sempre quando indagados de que país e universidade viemos, podemos notar o carisma que o nosso país tem aqui na Alemanha e, sobretudo, a belíssima reputação que a PUCRS possui.

PUCRS, muito obrigado por esta oportunidade!"

Melissa e Guilherme Lippert



Pablo Augusto Relly
Faculdade de Comunicação Social - Jornalismo
Semestre: Indefinido, metade de curso
2008/2


Terceira escolha. Foi assim que cheguei à University of New Mexico.

Meu primeiro destino era a University of Miami - tive que trocar pois as inscrições para Miami só seriam aceitas no semestre seguinte. Entre Albuquerque, no Novo México, e uma cidade possivelmente pacífica no Canadá, Regina - viria a descobrir mais tarde com um colega de apartamento, canadense, que Regina não é a mais pacífica das cidades, nada que não estejamos acostumados - optei pela cidade canadense. A razão: o campus era extremamente verde, e também a facilidade para fazer o visto. O processo para obter o visto dos Estados Unidos é uma novela, e ainda há a necessidade de ir a São Paulo para a entrevista no Consulado norte -americano. Interessante que dois/ três dias antes do prazo final para a entrega da inscrição junto ao Programa de Mobilidade Acadêmica, fui avisado pela universidade canadense que a unidade de Com. Social bloqueava algumas disciplinas aos intercambistas. Uma questão de prioridade aos estudantes locais. Justo de certa forma, mas o estopim para o minha correria pré-inscrição, já que com o bloqueio, não seria elegível ao programa. O prazo final para as inscrições era numa quinta-feira. Ali estava três dias antes, com a tarefa de mudar o planejamento do meu intercâmbio: conversar com a coordenadora de curso novamente para acertar as novas disciplinas que iria cursar na University of New Mexico.

Nestes dois dias, percebi que havia alunos mais perdidos do que eu. E também, não iria criar um dramalhão mexicano sobre o assunto.

O período nos Estados Unidos era perfeito: só um semestre acadêmico. Quatro meses que passariam rapidamente, e assim poderia cumprir com uma exigência familiar: estar em casa para o Natal. Ao chegar nos EUA, a recepção no aeroporto foi pelo Fernando Maresma, funcionário da UNM, e sempre atencioso com os intercambistas. A atuação de Seu Maresma foi perfeita em todo meu tempo em Albuquerque. Sempre curioso para ter certeza de que todos nós intercambistas da América Latina(seu setor) estivéssemos bem.(Assim como a Robyn Coté). O campus da UNM é muito organizado, limpo, verde e grande. Andar sem mapa nos primeiros dias é pedida certa para se perder. Pontos positivos da UNM:Instalações em geral muito bem preservadas, salas de aulas equipadas e Johnson Center, o centro esportivo. Basta ter o cartão magnético de aluno em mãos, para você ter acesso gratuito a todo o centro (piscina, quadras, academia...). A Zimmermann Library (a biblioteca) também merece atenção especial.

Com o início das aulas, era a hora da dedicação - recebo apoio dos meus pais, porém com o dever de ser/ tentar ser bem acima da média no desenvolvimento das atividades escolares. Das quatro disciplinas que cursei, enfrentei desafios pesados em duas - dica: procure um meio termo entre quantidade de aulas e tempo livre, o negócio é aproveitar a oportunidade para viver de tudo um pouco. As matérias mais fáceis eram de caráter prático e/ou baseada em memorização, com o uso do livro para fazer provas. Na realidade, esta foi a minha impressão do sistema educacional: muita memorização, conhecimento passageiro, e um hábito que tem raiz no Ensino Médio norte-americano, de acordo com colegas que conversei.

Assim, algumas avaliações são infantis; "qual é o nome... , quando... , quem... " e ainda o uso do livro e notas pessoais para responder as provas (como citado acima). Na disciplina de último ano, Mass Media: International Perspectives me senti realmente desafiado. O que minha Professora buscava era a compreensão geral e não aspectos singulares irrelevantes.

Além das provas, as apresentações orais estavam presentes em todas as cadeiras. Todas as salas são equipadas com aparelhos da "geração Power Point". O que me choca/chocou é o terrível hábito de estudantes lerem por 20 minutos, enquanto deveria dominar o assunto apresentado, recorrendo a anotações pessoais em eventual esquecimento. A saber: fato que também me chamou a atenção: a ignorância de uma fatia grossa do corpo estudantil, com a máxima, em um seminário : " O Líbano ainda é um país?"

As aulas são distribuídas pelos 3 turnos. Meu horário era uma colcha de retalhos. Fato que não era problema para aqueles que escolhem morar no Campus( mais caro), como eu. O único problema de morar no Campus é a dificuldade de manter um horário fixo e saudável de sono. Com tantas pessoas morando próximas a você, dormir é o que você menos faz, pelo menos no meu caso. A interação Professor/Aluno foi interessante: o acesso a eles era muito fácil e em alguns casos, quando relevante ao tópico discutido, minha opinião era solicitada. No mais não era tratado de forma especial por ser intercambista - ainda bem, pois se fui aos EUA com nível de inglês superior ao requerido, isso significa que tinha condições de igualdade com meus colegas norte-americanos. Ao final do semestre, obtive quatro "As", resultado da assiduidade quase perfeita e da pontualidade na execução das tarefas exigidas.

Apesar de ter sido minha terceira escolha, a UNM me proporcionou, através de inúmeras "Horas Sociais" organizadas pelo escritório Internacional, conhecer pessoas incríveis. Algumas passageiras e outras que já ocupam papel importante em minha vida. De forma alguma, voltaria atrás e optaria por outra Instituição. Apesar do meu desejo em voltar a UNM para mais um semestre - descobri este desejo quando era tarde demais, volto a PUCRS com a certeza de que meu curso é melhor aqui. E que venham as novas experiências!




Viviane Mathias
Faculdade de Direito
Eberhard Karls Universität Tübingen
ALEMANHA


"Estive de setembro de 2004 até julho deste ano morando em Tübingen, Alemanha. Esses dois semestres estudando numa universidade alemã tiveram um grande significado para mim. Estudante de direito, pude lá aprimorar meus conhecimentos jurídicos.

Meus aprendizados, entretanto, não ficaram restritos ao aprofundamento dos saberes jurídicos. O aprendizado da língua alemã fez parte da minha infância e esses 10 meses em que estive diretamente integrada na cultura e dia-a-dia alemão colaboraram de maneira significativa para o crescimento do meu conhecimento nesta língua.

Acredito, entretanto, que não foram apenas meus conhecimentos do alemão e de direito que se aprofundaram. Talvez a maior bagagem que eu trouxe na volta desta viagem foi a cultural. Um aprendizado que sei que jamais alcançaria nos livros, mas tão somente na convivência diária.

É no dia-a-dia que pude perceber detalhes e sutilezas da cultura de outros povos. As diferenças climáticas tiveram grande importância na minha adaptação, mas em relação às pessoas, creio que estudantes, não importa de onde forem, não são tão diferentes assim. É fácil perceber que a vontade de descobrir coisas novas, fazer novos amigos e enfrentar a barreira que é aprender alemão falam mais alto quando estudantes de vários países se descobrem juntos, com o mesmo objetivo - estudar - e as com as mesmas dificuldades - estar longe de amigos e família.

Quando me dei conta, já estava na Alemanha fazendo amigos alemães em sala de aula; convivendo em harmonia com vizinhos búlgaros, húngaros, argentinos e alemães; fazendo amigos na Espanha, Itália.... e, também, conhecendo paulistas, cariocas e paranaenses que, assim como eu, ganharam uma bolsa de estudos e estavam estudando numa universidade alemã.

Acredito que a troca de culturas tem um valor inestimável porque, como eu disse, não há livro que possa substituir tudo o que eu vivi por lá. Já faz 5 meses que estou de volta ao Brasil, porém continuo em contato com todos os amigos que fiz por lá e, definitivamente, deixei parte de mim em Tübingen. Penso em voltar, não somente para aperfeiçoar meus estudos, mas também para voltar a estar em contato com pessoas que fizeram parte - e diferença - na minha vida."




André Vieira de Matos
Faculdade de Engenharia
École Nationale de Saint-Étienne - ENISE
FRANÇA - 2006 / 2007


"A experiência de morar, estudar e trabalhar no exterior com certeza nunca será esquecida por mim. Participei do programa BRAFITEC-PUCRS 2006/2007, realizado em parceria com a École Nationale d'Ingénieurs de Saint Etienne (ENISE), na França. O objetivo deste programa é permitir ao aluno da graduação realizar um ano de estudos na faculdade francesa, cursando as mesmas disciplinas que os alunos regulares da escola, além das aulas de língua francesa. Parte deste ano de estudo destina-se à realização de um estágio em empresa ou laboratório de pesquisa, o que me permitiu aumentar minha experiência.

Achei muito interessante poder estudar em uma escola estrangeira, principalmente por poder analisar os diferentes métodos de ensino e identificar as qualidades e deficiências do sistema de ensino brasileiro.

No lado profissional, retornando ao Brasil observei o quão bem visto pelas empresas um intercambio é. Além disto meu estágio realizado no Instituto de Robótica de Paris me mostrou um lado até então desconhecido por mim da engenharia: o da pesquisa. Trabalhando em um centro de pesquisa de alta tecnologia, convivi lado a lado com o nascimento de novas tecnologias ligadas à cirurgia robótica, ajuda a locomoção de pessoas com necessidades especiais, e mais especificamente no projeto em que trabalhei, a ajuda à locomoção de deficientes visuais utilizando um sistema de câmeras e um "display táctil". Adquiri também contatos muito importantes no meio acadêmico europeu, que me rendeu inclusive um convite para realizar uma pós-graduação na Universidade Paris VI, considerada a melhor da Europa, com bolsa de estudo da União Européia.

No lado pessoal, além do óbvio aprendizado da língua francesa e do aperfeiçoamento de meu conhecimento em língua inglesa, este intercâmbio permitiu o conhecimento de diversas culturas diferentes, tanto com os alunos intercambistas de outros países quanto nas diversas viagens realizadas durante o período das férias. Isto sem contar todas as experiências relacionadas à administração financeira pessoal e de um apartamento (para mim foi a primeira vez que morei sozinho). Por contar apenas com a bolsa fornecida pelo governo, aprimorei bastante minha capacidade de administrar meus gastos visando alcançar um objetivo maior. No meu caso, conheci 14 países na Europa e mais de 20 cidades dentro da França, participei de atividades até então inéditas para mim (caiaque de mar, escalada, etc), visitei alguns dos principais museus do mundo (Louvre e Orsay em Paris, British Museum em Londres, Kelvin Grove na Escócia, etc), além do centro da Volkswagen (Volksburg, Alemanha), o museu da Mercedes (Stuttgart, Alemanha), a Euro Disney (Paris, França), entre outros locais importantes e festivais.

Aos que pensam em fazer um intercâmbio no exterior, recomendo não deixar esta oportunidade passar em hipótese alguma! A saudade da família e dos amigos existe mas pode ser administrada. Qualquer atraso que possa ocorrer em relação ao término do curso no Brasil não significa nada perto de toda a experiência, conhecimento e cultura adquiridos. E para aqueles que não possuem recursos para financiar um intercâmbio, recomendo que procurem por bolsas de estudo, que se esforcem e acreditem que isto não é algo que "só acontece com os outros". Aconteceu comigo e foi o melhor ano da minha vida!"





Bárbara Hartmann
Faculdade de Administração
University of Miami
ESTADOS UNIDOS - 2006


"Fazer um relato sobre meu intercâmbio para Miami é muito difícil. Essa viagem foi incrível, e me deixou sem palavras. Confesso que me preocupava ir para uma cidade com uma população latina tão grande, pois queria também falar o máximo de inglês possível. Engano meu. A UM (University of Miami) é uma das faculdades americanas que mais recebem alunos estrangeiros. Ou seja, tinha amigos de todas as partes do mundo e a língua oficial entre nós era só o inglês. O business, administração é mais um ponto positivo, pois é muito reconhecido. Não quer dizer que as outras áreas não sejam boas, mas ADM lá é referência para o mundo.

O conceito de faculdade nos E.U.A. é completamente diferente do que conhecemos aqui no Brasil. A faculdade é uma mini-cidade. Os alunos vivem dentro dela, respiram o ar de faculdade o tempo todo. Inclusive na torcida pelos esportes, onde a febre é o futebol americano de faculdades. Morava dentro do campus, que possui uma estrutura inacreditável, junto com uma "roomate".

Mas o melhor mesmo eram os amigos que eu fiz lá. Era um grupo de mais de 30 pessoas, cada um de uma parte do mundo. Eslovênia, Eslováquia, Áustria, Alemanha, Holanda, Espanha, França, Austrália, Bolivia, Inglaterra, Japão, Dinamarca, Islândia, Estados Unidos, e é claro, Brasil, eram alguns dos países de onde tinha amigos. O choque de culturas é umas das experiências mais enriquecedoras que você pode ter na vida. Do Brasil, vieram comigo mais três alunos da PUC-RIO e, além de alguns paulistas que foram cursar a faculdade inteira por lá. Pode parecer que eu falei muito português, mas não, porque sempre tinha alguém que não era brasileiro conosco.

Durante a semana os dias são dentro do campus... e finais de semana, praia. Na UM se estuda, e muito, mas nas horas livers sempre tem alguma coisa acontecendo. Tem uma estrutura ótima pra receber os intercambistas e a cidade ainda oferece muitos eventos e festas!"





Gláucia Oliveira
Faculdade de Arquitetura
Ball State University
ESTADOS UNIDOS - 2006


"Antes de realizar esse intercâmbio, foi-me dito que, quando retornasse, a minha vida seria marcada por "antes e depois da viagem". Eu pensei que era exagero, para me incentivarem a ir, mas, hoje, posso dizer com sinceridade que não é exagero fazer essa afirmação. Independente da experiência acadêmica, só o intercâmbio cultural, sem dúvida alguma, já é muito válido no sentido de ampliar o horizonte, "abrir a cabeça" de quem tem essa oportunidade.

Eu acredito ter tido muita sorte em ir para Muncie, pois lá fui muito bem recebida e fui surpreendida pela disponibilidade e vontade das pessoas em ajudar os estudantes de fora. Por ser uma cidade na qual a maioria da população é de estudantes de outras cidades dos EUA, que voltam para as suas casas durante as férias, os moradores da cidade já estão acostumados com a grande quantidade de estudantes e sabem das dificuldades de transporte e de conseguir local para morar, quando se é de fora. Quando chegamos a Muncie, fomos muito ajudados por pessoas não necessariamente ligadas a universidade, que nos conseguiram mobiliário e nos deram caronas até conseguirmos nos instalar adequadamente. O povo de Muncie é realmente muito solidário e isso realmente me surpreendeu, pois, em nenhum momento me senti desamparada ou sem ter a quem recorrer caso precisasse.

Muncie é uma típica cidade do interior dos EUA, com casas sem grades no jardim e sem calçamento nas quadras, pois quase todos têm carro e não costumam se deslocar caminhando, ainda mais durante o inverno que é muito rigoroso. Inclusive, isso foi um fator que nos dificultou um pouco no início, até nos acostumarmos com o sistema de ônibus, que é precário em relação ao de Porto Alegre.

O campus da Ball State possui todos os serviços que se possa necessitar como estudante. A biblioteca tem uma grande variedade e quantidade de livros sobre os mais variados assuntos e muitos prédios do campus disponibilizam computadores para os estudantes, inclusive o da biblioteca, que tem vários computadores, scanners e impressoras disponíveis.

No prédio da arquitetura há uma segunda biblioteca específica também equipada com computadores, scanner e impressora para o uso dos alunos, laboratório de maquetes com equipamentos de alta tecnologia, serviço de xerox e plotagem.

Os estudantes da arquitetura, diferentemente do Brasil, costumam passar grande parte do tempo na universidade, pois realizam os trabalhos acadêmicos na própria faculdade, na sala de aula, trocando assim idéias e discutindo seus projetos constantemente, o que eu achei muito favorável. Os colegas foram muito receptivos e auxiliavam a nós, brasileiros, quando não entendíamos o que havia sido solicitado ou qual seria a melhor forma de executar algum trabalho, por exemplo.

É muito importante ter um bom conhecimento da língua inglesa para acompanhar as aulas, esse não pode ser um fator que dificulte o entendimento da matéria, pois, com certeza, o não entendimento dificultaria e atrasaria muito o processo de aprendizagem. Os professores foram compreensivos com os possíveis deslizes e dificuldades de vocabulário específico.

A minha experiência pessoal foi excelente. A Ball State tem uma grande quantidade de estudantes internacionais, de diversos países e, por estarmos todos em uma situação semelhante, estudando em um país estrangeiro, criamos um grande grupo de contatos com alunos de várias outras faculdades, com os quais criamos amizades e realizamos várias atividades fora da universidade, até mesmo viagens para cidades próximas como Chicago. O nosso grupo se aproximou muito também dos alunos do CEFET que estavam cursando o mesmo programa que nós na Ball State.

A experiência educacional com certeza foi muito valiosa. Pude ampliar os meus conhecimentos em sustentabilidade e arquitetura e compartilhar experiências e opiniões com pessoas de culturas totalmente diferentes. Isso foi muito importante para, inevitavelmente, compararmos o ensino da PUCRS com o da Ball State e vermos que não perdemos em nada em termos de capital humano e conhecimento adquirido. As cadeiras cursadas lá complementaram conteúdos que não nos eram estranhos e nos deram a possibilidade de analisar com outros olhos as questões abordadas, por estarmos em um país diferente, isso foi muito valioso.

Enfim, concluindo, a experiência que tive com essa oportunidade de estudar na Ball State University foi maravilhosa e muito enriquecedora, tanto para experiência pessoal, quanto para a experiência acadêmica. Eu não pensaria duas vezes em passar por tudo novamente, se necessário e pretendo fazer outros intercâmbios ao longo da vida, para continuar ampliando os horizontes e os pontos de vista, os quais se abrangem quando vemos e discutimos os fatos com pessoas de culturas diferentes."





Gustavo Roth
Faculdade de Engenharia Química
Universität Stuttgart
LAE3 (Programa Latin American-European Exchange)
ALEMANHA - 2006


"Meu nome é Gustavo Roth, sou estudante de engenharia química na PUCRS. Aprendi a língua alemã ainda no colégio. Desde então, tenho vontade de me tornar fluente neste idioma. A idéia de fazer um intercâmbio na Alemanha sempre me agradou. Mas, graças a AAII estou tendo esta maravilhosa oportunidade.

Estou morando em Stuttgart desde março de 2006. Estou estudando e estagiando na Universidade de Stuttgart. Até então esta experiência acadêmica está sendo maravilhosa. O fato de estar aqui na Alemanha durante a copa do mundo é indescritível. Ver pessoas do mundo todo juntas por um objetivo: torcer por seu país, é extraordinário. A cada dia me defronto com novas experiências, e é isso o que mais me agrada e que me dá vontade de continuar aqui nesse país maravilhoso."





Joana Cavinatto
Universidade de Poitier - França


www.vidaintercambista.blogspot.com



Laura Silva Peixoto de Castro
Faculdade de Psicologia
Universidad Católica Del Uruguay
URUGUAI - 2007


"Meu nome é Laura e eu faço Psicologia. Semestre passado (2007/1) participei do programa de Mobilidade Acadêmica: fui cursar algumas disciplinas no Uruguai, na "Universidad Católica Del Uruguay". Diferentemente das pessoas que em geral vão para países mais desenvolvidos economicamente, eu fui para um país subdesenvolvido.

Os rio- grandenses se identificam muito com os uruguaios e vice-versa, entretanto, pude vivenciar uma série de diferenças entre nós gaúchos e nossos "hermanos" e também perceber diferentes valores e aspectos culturais.

Não gostaria de fazer críticas, o importante é que fui muito bem acolhida. Comi muito "biscochos", doce de leite, alfajores maravilhosos, mas tenho que admitir, entre o assado deles e o nosso churrasco, fico com o churrasco. Eles tomam mais chimarrão que nós, só que lá se chama mate. Eles amam os brasileiros, nos julgam mais divertidos, mas eu acho que os brasileiros já souberam se divertir bem mais em outras épocas menos capitalistas.

Nosso ritmo é diferente, eles correm menos, os carros são mais antigos e as pessoas , quando olham alguém conhecido, geralmente param o que estão fazendo e vão conversar com a pessoa.

Conheci gente de todo o mundo, mas os mexicanos eram os meus grandes amigos, que saudades! O pessoal era bem diferente e bem diversificado. Os espanhóis queriam pegar mulheres, os mexicanos queriam namorar e fazer muitas amizades, os alemães queriam dançar, eles dançam de um jeito muito diferente. Os mais diversificados, entre si, eram os franceses. Esses pareciam brasileiros: um de cada cor, diferentes jeito de ser, uns gostavam de se "enturmar" e outros não.

De brasileira, só tinha eu. Eu era a que sempre queria festa, tentei ensinar o pessoal a sambar, mas não consegui. Muitos amaram conhecer a Bossa Nova, espero que espalhem Chico Buarque e Tom Jobim por todos os lados do planeta. A Universidade era muito boa, pequena, acolhedora, tipo de filme antigo. Os professores eram ótimos e a chamada sempre era feita no início da aula (entenderam, né?). Porém, quando se faz intercâmbio faz-se necessário estar presente, presente em todos os sentidos: manter-se informado e estar disposto pra aprender. Enfim, o melhor de tudo foi viver em um país vizinho e pequeno que tem outro ritmo e por isso outra cultura. Também foi maravilhoso conhecer muitas outras culturas através das pessoas. No fim, percebi que estamos num pedacinho do mundo e que podemos ir e chegar a qualquer lugar e sempre será uma surpresa. Tenho certeza que há em mim, um pouquinho de cada um dos que dividiram essa experiência comigo e o melhor é que tenho a certeza de que essas pessoas também puderam conhecer um pouquinho do Brasil através de mim. Depois de viver tudo isso entendi que estou no mundo tanto quanto o mundo inteiro está dentro de mim e que só eu posso criar minhas próprias fronteiras e que na verdade elas não existem, são apenas fruto da minha imaginação."




Marcio Vicari
Faculdade de Enganharia
École Nationale de Saint-Étienne - ENISE
FRANÇA - 2006 / 2007


"Salut,

Meu nome é Marcio Vicari e recentemente participei da segunda edição do programa de intercâmbio BRAFITEC entre a Faculdade de Engenharia da PUCRS e a ENISE (École Nationale d´Ingenieurs de Saint-Etienne).

Em poucas palavras, posso dizer sem dúvidas que foi uma das melhores experiências da minha vida.

Viagei para a França com a expectativa de aprender uma nova língua, estudar e trabalhar, mas foi muito mais do que isso.

Durante os 5 primeiros meses, freqüentei algumas das cadeiras do curso de engenharia mecânica juntamente com os demais alunos franceses. No início não foi fácil pois a maior dificuldade era a língua, mas, com o passar do tempo isso foi sendo superado.

Nos 5 meses seguintes, estagiei no laboratório da escola (DIPI). Trabalhei com equipamentos de alta tecnologia, dos quais, jamais imaginei que um dia iria ter contato (equipamentos a laser para soldagem e fabricação de peças). Participei de experimentos juntamente com pesquisadores e profissionais de algumas empresas.

Fiz ótimos amigos ( Franceses, Italianos, Espanhóis, Argentinos e Russos), conheci diversas cidades da França, conheci outros paises, pratiquei snowboard, me diverti bastante.

Claro que em alguns momentos a saudade da família e dos amigos pesou, isso é normal, mas nunca foi motivo para desistir.

Meus planos para o futuro são de concluir minha graduação no próximo ano, iniciar o mestrado e voltar para a França.

Em resumo, todo o esforço valeu a pena. Estou morrendo de saudades e não vejo a hora de voltar."





Rodrigo Klockner do Nascimento
Faculdade de Engenharia Civil
École Nationale D'Ingénieurs de Saint-Etienne - ENISE
FRANÇA - 2006 / 2007


"Em setembro de 2006 embarquei rumo a Saint Etienne, França para realizar um ano de estudos em engenharia civil na ENISE (l'École Nationale d'Ingénieur de Saint Etienne). Neste período tive a oportunidade de não apenas aprender um novo idioma, mas também agregar conhecimentos da minha área de estudos tanto pelo lado acadêmico como pelo lado prático, através do estágio supervisionado.

A adaptação ao idioma foi superada através da facilidade com que tenho para me comunicar e principalmente pelo espírito hospitaleiro do povo francês. Logo, ser desinibido e mostrar interesse em aprender a língua francesa, assim como a sua cultura são requisitos básicos para uma rápida adaptação.

Recomendo este tipo de experiência para todos que têm vontade de ampliar seus horizontes através da vivência de uma nova cultura, conhecendo novos lugares, aprendendo a lidar com pessoas e situações adversas que com certeza contribuem significativamente no nosso amadurecimento para o mercado de trabalho assim como para a vida."


Rafael Codonho
Faculdade de Comunicação Social
China 2007

China: afagos e pontapés entre o moderno e o tradicional

À primeira impressão, uma cidade cinzenta, abafada e em movimento constante no verão de 2006. Passados três meses, o céu foi se rendendo aos tons azulados com a iniciativa governamental de transferir as grandes indústrias de Pequim para outras cidades. Isto para citar apenas uma mudança ocorrida a curto prazo. Na tentativa de se resumir a atual imagem do país de 56 etnias, pode-se imprimir um enorme canteiro de obras incessante, expansível e veloz.

Enquanto no Brasil, pendurados nos retrovisores dos automóveis, imperam os crucifixos ou uma ampla gama de artigos sincretistas religiosos, no país vermelho há uma face, também fonte de crença: Mao Tsé-Tung, o ditador que comandou a China por 27 anos. O consenso entre a população beira ao refrão: “Ele foi um homem muito bom que, como qualquer pessoa, cometeu erros”. Isto ocorreu simultaneamente ao último congresso do Partido Comunista da China, que citou pouquíssimas vezes o líder maior e referência máxima, e que ampliou as reformas econômicas liberais.

Ao recém-chegado, mesmo que previamente informado sobre o destino escolhido, é inevitável o choque cultural. Não é fácil ir almoçar num restaurante que, na mesa ao lado há uma pessoa cuspindo no chão ruidosamente. Assim como é estressante ao comprar roupas ter que discutir com o vendedor. Este informa a um cliente comum que uma camisa custa 150 yuans. Se for estrangeiro, 250. No final, paga-se 50 yuans. A barganha é extremamente necessária e o atendente grita bravo, em inglês: “How much do you want?”. Uma vez, após decidir não comprar uma roupa, o dono da loja me puxou pelo braço, abaixou o preço diversas vezes e, após a negativa final, praguejou com gosto: “Baxi bu hao” (em mandarim, o Brasil é ruim).

Na maioria das vezes, o chinês é receptivo ao estrangeiro e guarda grande simpatia pelo Brasil. “Ronaldo... Ronaldinho! Kaká... Romário!”, diziam muitas vezes. O churrasco brasileiro também é famoso e não são poucas os restaurantes que oferecem esta especialidade espalhados do sul ao norte, assim como os brasileiros estudando mandarim, cursando faculdade e trabalhando.

Para os interessados em ir para o país, o momento é excelente: a China acumula crescimento anual acima dos 9,6% nas últimas 3 décadas, investe pesado em infra-estrutura - principalmente devido ao Jogos Olímpicos de 2008 -, distribui bolsas para os estudantes brasileiros e oferece boas oportunidades de emprego. Em acréscimo, o país possui um vasto cardápio de patrimônios mundiais tombados pela UNESCO, como a Cidade Proibida e a Muralha da China. Uma última dica: sobrepondo-se em importâcia o “nihao” (oi) e “xiexie” (obrigado), aprenda a falar “wo bu chi gou rou” (eu não como carne de cachorro).

Para conhecer com mais profundidade
Refletindo com exatidão o momento atual, indico dois filmes: Lost in Beiing (2007) e Bicicletas de Pequim (2001). Ambos os longa-metragens apresentam dramas presentes que ocorrem com mais freqüência do que a ingenuidade dos turistas que visitam o país supõem existir: a imposição do status social e a dificuldades dos migrantes provenientes das zonas rurais que trabalham nas grandes cidades são temas abordados com poucos eufemismos. Por adição, as produções foram censuradas pelo governo e, conseqüentemente, não são acessíveis legalmente ao público chinês, apesar do grande sucesso nos festivais internacionais.

Rafael Codonho estudou e trabalhou por um ano em Pequim.

Renata Rolla Bernaud
Faculdade de Direito – Ciência Jurídicas e Sociais
7º Semestre

Estive na Espanha, onde estudei na Universidad de León entre fevereiro e julho de 2007. Jamais pude esperar que a minha experiência fora do meu país pudesse ser tão proveitosa e satisfatória quanto foi. Foram meses incríveis, os quais me proporcionaram conhecimentos, vivências, atividades, amizades e acontecimentos incomparáveis e com certeza, inesquecíveis.

Antes de viajar, sempre pensei que soubesse “falar” espanhol. Para minha surpresa, quando cheguei em León o que ocorreu foi exatamente o inverso: parecia que nunca havia praticado a língua. A maneira como os espanhóis falam é bem diferente da que escutamos pela América Latina. Eles possuem expressões distintas e muitas vezes utilizam tempos verbais que não escutamos dos nossos hermanos continentais. Ter escolhido uma cidade pequena – León tem apenas 200 mil habitantes, apesar da infra-estrutura de cidade grande - , universitária e, portanto, com muitos jovens, facilitou o meu aprendizado, já que o contato com estudantes espanhóis era grande, o que ajudava em muito a prática do idioma. Após o término do semestre, depois de muitos amigos, festas, viagens, trabalhos apresentados, aulas e avaliações, foi quando me dei conta que já possuía a fluência na língua.

Apesar de ser aluna da Faculdade de Direito na PUCRS, optei por cursar cadeiras eletivas nas faculdades de Economia, Ciências Empresariais e Marketing, já que, sempre tive vontade de estudar mais sobre essas áreas. Além disso, a escolha por matérias de Direito me fariam perder grande parte dos conteúdos, já que cheguei em fevereiro e elas tinham tido início em setembro do ano anterior, juntamente com o ano letivo europeu. Escolhi as disciplinas de Marketing Internacional, Investigação de Mercados Internacionais e Economia da União Européia. As duas primeiras possuíam ementas muito semelhantes, porém a segunda dessas pertencia ao 3º ciclo, uma espécie de especialização dentro da graduação, com inúmeros estudos de caso, apresentações, pesquisas e assim, uma visão mais profunda sobre a matéria, com foco nas negociações internacionais e na busca de mercados para investimentos privados. A terceira disciplina foi desenvolvida basicamente sobre trabalhos realizados em sala de aula, com apresentações e debates sobre as políticas econômicas da União Européia, bem como suas entidades e membros. Uma característica interessante sobre a cadeira era a formação da turma, que só possuía alunos intercambistas, provenientes de 20 distintos países.

Por não terem o costume de participar de programas de estágio durante o ano letivo, apenas nos meses de férias de verão, as aulas acabam por ocupar horários aleatórios durante a semana, sempre respeitando a sagrada “siesta”, realizada entre 14 e 16hs, quando praticamente todos os estabelecimentos da cidade fecham para o descanso geral. A Universidade possui uma variada agenda de atividades extra-classe, das quais tive a oportunidade de participar de seminários e palestras, das áreas econômica e jurídica. As instalações da Universidad de León, uma instituição pública que conta com cerca de 40 mil alunos, são típicas de primeiro mundo, onde a tecnologia, a educação, a organização e o desenvolvimento intelectual e cultural andam sempre unidos. A exemplo disso, cito a abertura das bibliotecas da Universidade e cidade, durante as 24 horas do dia nos períodos que antecediam os exames finais, com lotação máxima, e a utilização da própria carteirinha da instituição de ensino no pagamento do transporte público, através de chip, que possibilitava o carregamento em dinheiro da mesma em bancos e assim o seu aproveitamento.

Diferente do Brasil, o Ministério da Educação espanhol não exige presença obrigatória para universitários durante as aulas. Porém, nota-se um maior comprometimento dos alunos, que em universidades públicas, caso de León, pagam apenas entre 300 e 500 Euros anuais de matrícula. O que podia perceber eram classes sempre cheias, explicadas talvez pela boa e constante interação professor/aluno e a objetividade dos métodos didáticos utilizados. O meu entusiasmo por estar estudando em uma universidade estrangeira, tendo como colegas pessoas dos mais variados países do mundo e aprendendo sobre negociações internacionais, que sempre tanto me interessaram, aumentava a minha motivação diariamente. Isso fazia com que estivesse sempre disposta a cooperar, tanto com professores como colegas e assim a interagir, fato que me fez trazer para Brasil muitas amizades na bagagem.

Ter a oportunidade de participar de um programa de mobilidade acadêmica, além de incrementar o curriculum, acaba por gerar um auto-desenvolvimento, que aprofunda e amplia não apenas a área de próprio estudo, mas principalmente a área do conhecimento pessoal. Viver na Europa, caminhar diariamente entre muralhas romanas, igrejas com mais de 8 séculos, estar a no máximo a duas horas de distância em avião de qualquer uma das principais cidades européias, ter a segurança e o verdadeiro direito de ir e vir, além da qualidade de vida em poder fazer tudo a pé, tendo a infra-estrutura de primeiro mundo, são apenas alguns dos motivos que me fazem querer voltar. As amizades que conquistei, as experiências que vivi e os inúmeros momentos de máxima felicidade que passei, só servem para que eu deseje a todos que tenham as mesmas oportunidades que tive.


Letícia Leuze Machado
Psicologia
Universidade de Regina, Canadá. 2008/1

     Eu sou a Letícia Leuze Machado, curso psicologia na PUCRS e no primeiro semestre de 2008 fui ao Canadá, através do Programa de Mobilidade Acadêmica, cursar um semestre de psicologia na University of Regina (Uof R), que fica na província do Saskatchewan.

     Antes de embarcar não tive nenhum problema com o visto, a não ser pelo fato de ele ter chegado um dia antes do embarque, o que só aconteceu pelo atraso da chegada da minha carta de aceite. Um mês antes do embarque providenciei a carteirinha de estudante oficial da ISIS além, é claro, do seguro saúde e uma carteirinha de alberguista, já que o meu último mês no Canadá seria dedicado a viajar pelo país (vale a pena fazer a carteirinha porque se economiza CAD$4 por noite e os albergues de lá são seguros e relativamente confortáveis).

     Na universidade canadense cursei quatro disciplinas, no título original: Human Neuropsychology, Consciousness Studies, Human Information Processing e French II. Todas essas disciplinas tinham aulas expositivas e todos os professores eram muito abertos para debate e eventuais dúvidas dos alunos. Essas também foram as disciplinas que eu havia planejado cursar. Em razão de as matrículas de lá terem sido realizadas antes de eu receber a minha carta de aceite, uma vaga extra foi aberta em cada turma para que eu pudesse cursá-las normalmente.

     O sistema de avaliações fica a critério dos professores, exceto pela prova final que é obrigatória para todos os cursos da universidade. Essa prova final avalia toda a matéria que foi passada pelos professores durante o semestre e vale 40%, ou mais, da nota final. Em geral, antes dessa prova final tem uma ou duas outras que são o que eles chamam de "midterms", essas não são cumulativas e cobram somente o módulo que foi ensinado até aquela prova.

     Nas disciplinas que cursei tive todos os tipos de avaliações, tive que apresentar trabalhos para a turma, escrever artigos científicos, escrever provas, e participar de pesquisas científicas para pontos extras (alguns professores utilizam isso). As provas escritas podem ter perguntas que exijam respostas longas ou curtas, podem ser de múltipla escolha e, como acontece na maioria das vezes, uma mesma prova contém todas essas formas de avaliação.

     A infra-estrutura da universidade é ótima. Eles disponibilizam gratuitamente academia para todos os alunos e cobram pequenas taxas por diferentes aulas de aeróbica e natação. Além disso, disponibilizam internet sem fio segura para todo o campus e internet com fio em diversos computadores localizados nas bibliotecas da universidade.

     Por falar em bibliotecas, a Uof R possui três bibliotecas à disposição de todos os alunos. As menores são a biblioteca Luther College e a Campion College, que é a única biblioteca no campus que tem filmes (em fita de vídeo) para alugar. A maior e mais importante das bibliotecas é a Archer, que tem livros, microfilmes e inclusive discos de música para alugar (se você gosta de músicas antigas e tiver uma vitrola, vai se encantar por esse cantinho da biblioteca). No sexto andar da Archer, se tem uma vista incrível do Wascana Lake e alguns jornais locais e nacionais são disponibilizados para leitura local.

     Existem três dormitórios oficiais dentro da Uof R. A North and South Residences, que é a mais central e a mais disputada pelos alunos, a College West e a La Residénce que abre vagas apenas para alunos que falam francês fluentemente ou que estejam cursando francês na universidade. Essas três residências disponibilizam quartos divididos ou individuais, mas seus preços não incluem lavanderia ou planos alimentares. Existe uma residência não-oficial que também é ótima: a Luther College Residence que disponibiliza somente quartos individuais e tem planos alimentares e lavanderia incluídos no valor mensal.

     A Luther College foi minha casa durante o semestre e pelo valor mensal de CAD$745 eu tinha um quarto privado e num mesmo andar duas salas de convivência, sendo uma delas equipada com televisão a cabo, DVD e VHS e uma pequena cozinha. Incluído no valor eles também serviam todos os dias café da manhã, almoço e janta com o plano "all you can eat", ou seja, comida liberada que incluía saladas, pratos quentes, refrigerantes, cafés, sucos e sobremesas. Além desses três horários de refeições, em época de provas e em alguns finais de semana eles ofereciam "cuidados extras" das 21h às 22h onde delícias como muffins e donuts eram servidos com alguma bebida quente ou fria de nossa escolha, sem cobrar nenhum valor aditivo por isso.

     A Luther também oferecia um espaço dedicado ao lazer dos moradores. Nesse espaço tinham facilidades como cozinha, mini-cinema e sala de jogos equipada com algumas máquinas de fliperama, uma mesa de pingue-pongue e outra de bilhar, uma mesa de fla-flu, outra de air hockey e um piano. Eles também disponibilizavam, incluído no preço, lavanderia ilimitada.

     Optando por ficar em uma das residências oficiais é possível fazer um cartão de alimentação que pode ser utilizado nas lancherias localizadas pelo campus. A maior concentração deles está na praça de alimentação que fica no prédio Ridell Center.

     Todos os alunos da Uof R têm uma página no sistema da universidade onde os professores publicam individualmente notas, avisos e arquivos de Power Point que utilizam nas aulas expositivas. Todas as salas de aula da universidade são equipadas com computadores, portanto é bastante comum que os professores dêem aulas expositivas utilizando Power Point. Além dessa página pessoal todos os alunos recebem um e-mail oficial.

     A Assessoria Internacional da universidade sempre faz algum tipo de recepção e despedida para os alunos em intercâmbio, oferecendo informações e passeios semanais pela cidade. A maioria das pessoas que trabalha na Assessoria de lá são estrangeiros que estão fazendo a sua graduação na UofR, então eles são bastante dispostos a ajudar alunos recém-chegados. Na minha estada lá, no entanto, conheci muito mais canadenses do que estrangeiros, o que foi ótimo para o aperfeiçoamento do meu inglês e uma maior compreensão e envolvimento com a cultura canadense.

     Como fui cursar o semestre de inverno lá, conheci o clima extremamente rigoroso do Saskatchewan. A temperatura mais baixa que atingimos foi -50Cº, mas na maior parte do tempo ficamos entre -30Cº e -20Cº na alta temporada. Em abril ainda estávamos numa variação de 6Cº à 10Cº. Segundo os moradores de lá, só esquentaria mesmo em maio, que tem temperaturas de 16Cº à 20Cº.

     Para sobreviver em temperaturas tão baixas são indispensáveis luvas, gorro, botas e um casaco bem quentinho. Mas não se iluda, as luvas simples de lã que temos aqui não servem para esse frio, as botas devem ter forro para esquentar bem e até aqueles casacos mais grossos que temos aqui no Brasil não seguram o vento, usar eles é como não usar nada, tamanho o frio! Então, nessa situação, aconselho a comprar bons acessórios para neve lá mesmo. Leve seu casaco mais quentinho daqui só para a chegada, depois procure em alguma loja um mais adequado.

     Esse intercâmbio teve um valor imensurável para mim. Para quem nunca tinha pisado o pé fora do Brasil numa experiência como essa, viajar para longe sozinha e viver uma nova cultura foi incrível. Além de aprimorar meu inglês e conhecer novas perspectivas dentro da minha área de interesse profissional, pude conhecer pessoas com sonhos e pontos de vistas diferentes dos meus e o crescimento pessoal ocasionado por todas essas vivências é indescritível.

     Para os alunos que pretendem partir em intercâmbio para a Uof R aconselho a não se matricular em muitas disciplinas, pois elas, em geral, exigem bastante dos alunos e 12 créditos pareceu-me ser suficiente. Se partirem no inverno, não esqueçam das roupas quentinhas. De resto: muito sucesso e divirtam-se!


Oscar Remigius Albrecht
Universidade de Dresden, Alemanha

     Estou escrevendo pois começaram semana passada as aulas.

O que noto aqui, e já escrevi para o professor Avelino, diretor da FACIN, é que os alunos podem "viver" mais a faculdade. Isto por uma mentalidade diferente do que temos aí.

     Um aluno aqui é proibido por lei de trabalhar mais do que 20 horas por semana, ou seja, as empresas não têm muito interesse de contratar um aluno. E o governo fornece toda a infra-estrutura necessária para se viver gastando "pouco": temos moradia, água, luz, aquecimento por aproximadamente 200 euros por mês. Os ônibus e trens são gratuitos para estudantes e existe o RU, onde com 2 euros é possível se comer diversos tipos de comida, como pizzas, massas e diferentes pratos.

Com 500 ou 600 euros mensais, se pode viver bem aqui, tranquilamente. Isto faz com que os professores possam dar mais trabalho para que o aluno faça em casa, pois não existe a desculpa de que "se tem mais o que fazer", pois não se tem. Pelo que pude perceber, as disciplinas aqui raramente têm mais de um encontro (2 créditos) com o professor por semana, e normalmente têm mais dois créditos de exercícios com um auxiliar. O estudo não é tão dirigido como no Brasil, onde temos claro o que foi dado em aula, e o que precisamos saber para a prova, aqui os alunos precisam "fazer" o seu conhecimento. Por outro lado, pelo que pude perceber, a faculdade não dá muita ênfase para o mercado. Conversei com uns alunos aqui e comentei que eu trabalhava 8 horas por dia no Brasil, eles acharam o máximo que eu já trabalhasse. Isto deve fazer falta quando o estudante vai para o mercado, no fim da faculdade. As aulas também são diferentes: nos inscrevemos nas aulas, e depois nas provas, não necessariamente precisamos fazer as provas. E as aulas são, normalmente, em grupos grandes, em auditórios com 60 pessoas ou algo assim, um pouco diferente do que temos no Brasil.


Paula de Oliveira Cezar
Institut D'études Politiques, França

     Meu nome é Paula de Oliveira Cezar e sou estudante do sétimo semestre do curso de Direito da PUCRS. Em 2008/2 e 2009/1 participei do Programa de Mobilidade Acadêmica promovido pela Universidade, decidindo estudar por 2 semestres na França.

     A instituição conveniada com a PUCRS que escolhi foi o Institut D'études Politiques. O IEP não é necessariamente uma escola de Direito, mas também prepara os seus alunos para tornarem-se advogados ou para prestarem concursos públicos ligados ao Direito - como, por exemplo, para a Magistratura ou para Procuradoria da República. A principal diferença entre ela e as demais universidades é a forma de ingresso, pois exige a aprovação dos futuros alunos em um exame disponibilizado pela escola, enquanto nas demais o aluno que conclua o ensino médio deve apenas inscrever-se, de acordo com o seu interesse.

     As disciplinas que cursei foram todas ligadas ao Direito ou à Política. Durante as aulas, o que achei muito interessante, além, é claro, do conteúdo apresentado pelos professores, que era sempre muito completo e exposto da maneira mais profunda possível, foi a experiência de conhecer um novo método ensino e uma diferente forma de avaliação, que visavam em principal a valorizar o desenvolvimento do raciocínio analítico do aluno a partir daqueles conhecimentos lhe foram passados pelos professores na aulas ministradas durante o período letivo.

     Tive também a oportunidade de conhecer pessoas das mais diferentes culturas - nós éramos 120 estrangeiros de 30 diferentes países. Com cada colega aprendi algo novo. Com isso, percebo que me tornei mais receptiva e tolerante com as diferenças, o que acredito que será algo muito positivo em todos os aspectos da minha vida, tanto profissional quanto pessoal.

     Ter cursado este ano universitário no exterior, tanto pelo conhecimento acadêmico, quanto pela experiência que me tornou mais aberta as realidades estranhas a minha, foi muito importante. Tenho certeza de que esta experiência terá uma grande influência nas minhas escolhas e nos resultados que sonho alcançar."